A melhor opção de tributação para sua empresa. Um breve comparativo entre Lucro Real e Lucro Presumido.

No cenário tributário brasileiro, as empresas dispõem de diferentes regimes de tributação, entre os quais se destacam o Lucro Real e o Lucro Presumido. Cada um desses regimes possui características específicas que podem influenciar significativamente a carga tributária e a gestão financeira da empresa. Neste artigo, vamos explorar detalhadamente as nuances e diferenças entre o Lucro Real e o Lucro Presumido, ajudando você a decidir qual é a melhor opção para sua empresa.

O regime de Lucro Real é caracterizado pelo cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) com base no lucro líquido da empresa, ou seja, após a dedução de todas as despesas operacionais. Este regime é obrigatório para empresas com faturamento anual superior a R$78 milhões ou que operam em setores financeiros, como bancos e seguradoras.

Uma das principais vantagens do Lucro Real é a possibilidade de deduzir todas as despesas operacionais e outros gastos relacionados à atividade empresarial, o que pode resultar em uma carga tributária mais justa e alinhada ao real desempenho financeiro da empresa. Além disso, empresas que optam pelo Lucro Real podem se beneficiar de incentivos fiscais para projetos específicos, como investimentos em pesquisa e desenvolvimento, inovação tecnológica e programas de sustentabilidade.

Por outro lado, o Lucro Real exige um controle contábil rigoroso e detalhado, o que pode representar altos custos administrativos e de auditoria. A complexidade na gestão contábil é um fator que deve ser considerado, especialmente para empresas que não dispõem de uma estrutura robusta de contabilidade. A necessidade de manter registros precisos e atualizados das despesas e receitas pode demandar recursos significativos em termos de tempo e pessoal qualificado.

O regime de Lucro Presumido, por sua vez, simplifica o cálculo dos tributos ao estabelecer uma margem de lucro pré-fixada, que varia conforme o setor de atuação da empresa. Este regime é permitido para empresas com faturamento anual de até R$78 milhões, sendo uma opção atrativa para negócios de menor porte ou que buscam simplificar suas obrigações fiscais.

A principal vantagem do Lucro Presumido é a simplicidade na apuração dos impostos. Com uma base de cálculo fixa, a empresa pode estimar seus tributos de maneira mais ágil e com menor complexidade administrativa. Os custos relacionados à contabilidade e auditoria tendem a ser menores, já que não é necessário o mesmo nível de detalhamento exigido pelo Lucro Real.

No entanto, o Lucro Presumido pode não ser vantajoso em todas as situações. Se as margens de lucro presumidas pelo governo forem superiores ao lucro real da empresa, a carga tributária pode ser mais onerosa do que no Lucro Real. Além disso, o regime de Lucro Presumido não permite a dedução de despesas operacionais, o que pode aumentar a base de cálculo dos impostos de maneira desproporcional ao desempenho financeiro real da empresa.

Mas afinal, qual escolher?

A escolha entre o Lucro Real e o Lucro Presumido depende do perfil da sua empresa. Se você possui um bom controle contábil e margens de lucro variáveis, o Lucro Real pode ser a melhor opção, permitindo uma gestão tributária mais precisa e alinhada à realidade financeira do negócio. Por outro lado, se sua empresa tem um faturamento estável e busca simplicidade na apuração dos impostos, o Lucro Presumido pode ser mais vantajoso, reduzindo a complexidade administrativa e os custos com contabilidade.

Em resumo, a decisão entre Lucro Real e Lucro Presumido deve ser baseada em uma análise criteriosa das características e necessidades específicas da sua empresa. É recomendável consultar um especialista em Direito Tributário para avaliar detalhadamente as implicações de cada regime e tomar a decisão mais adequada para o seu negócio.

Victor Bertocco

Victor Bertocco

Formado em Direito pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo (2015), sou pós-graduado em Direito Tributário pela mesma instituição e em Direito Digital e Proteção de Dados pela Escola Brasileira de Direito. Durante minha trajetória acadêmica e profissional, aprofundei meus estudos em consultoria estratégica, compliance tributário e contencioso fiscal. Morei no exterior por um período, onde tive uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida e aprofundei minha fluência na língua inglesa, incluindo cursos voltados à aplicação do idioma no universo jurídico.

Sou entusiasta de tecnologia e temas como Privacidade, Proteção de Dados e Transformação Digital no Direito. Atualmente, sou fundador do Bertocco Consultoria Jurídica Estratégica, escritório voltado à assessoria jurídica tributária, e co-fundador da Gango Tech, uma startup inovadora que busca fortalecer o ecossistema de esportes e incentivar hábitos mais saudáveis por meio da tecnologia e recompensas. Além disso, nas horas vagas, escreve artigos sobre conteúdos da atualidade e que estão envolvidos de alguma forma com jurídico-tecnológico.

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